Olhei pra ele: os olhos vermelhos denunciavam. Gritou comigo, não me ouviu. Nunca me ouve quando está nervoso, é sempre prudente esperar. Saiu, deu uma volta e esfriou a cabeça. Eu queria sair correndo. Ameacei, ele me acalmou. Percebeu que eu não estava brincando. Calmamente ele me abraçou e me disse que tudo ficaria bem. Sorri e concordei. No fundo, tenho a certeza de que ele está certo. No fim, bebemos e brindamos. Acordei com o dia raiando, o mundo lá fora passando e você aqui, dentro de mim. Me aconcheguei e me despedi. Sei que precisa ir embora. Por um tempo, continuará precisando. Me abraçou olhando nos olhos e me beijou. Era a primeira vez que eu me sentia feliz mesmo na hora de ele ir embora. Ouvi o barulho do portão e dormi novamente antes de ouvir a moto se afastar.