Arquivo da categoria ‘Jacareí’

Parte II

Agosto 31, 2009

Olhei pra ele: os olhos vermelhos denunciavam. Gritou comigo, não me ouviu. Nunca me ouve quando está nervoso, é sempre prudente esperar. Saiu, deu uma volta e esfriou a cabeça. Eu queria sair correndo. Ameacei, ele me acalmou. Percebeu que eu não estava brincando. Calmamente ele me abraçou e me disse que tudo ficaria bem. Sorri e concordei. No fundo, tenho a certeza de que ele está certo. No fim, bebemos e brindamos. Acordei com o dia raiando, o mundo lá fora passando e você aqui, dentro de mim. Me aconcheguei e me despedi. Sei que precisa ir embora. Por um tempo, continuará precisando. Me abraçou olhando nos olhos e me beijou. Era a primeira vez que eu me sentia feliz mesmo na hora de ele ir embora. Ouvi o barulho do portão e dormi novamente antes de ouvir a moto se afastar.

Parte I

Agosto 26, 2009

- Escreve a história da minha vida? – perguntou ele, deitado na linha de visão do meu pé. Não tive o que dizer. Era difìcil dizer não praqueles olhos. A mesma música, ininterruptamente rodava no aparelho de som. Lá fora o sol brilhava no meio da preguiçosa tarde de segunda-feira. Eu agia como se nada estivesse acontecendo, como se a vida não passasse pelos meus olhos. Ele falava, eu ouvia. Parecia cansado. A vida não é fácil pra ninguém enfim. Fico pensando em quem é realmente forte nessa história toda. Fiz o que naturalmente o instinto de mulher faz: cuida. Peguei a toalha, tomou banho. Depois se aconchegou nos meus bracos. Descansou. Aí o mundo voltou a girar e ele foi embora. Voltou. Trouxe a diversão da noite e saímos. Conversamos pouco. Falou pouco, ao contrário das outras vezes. Se preparou e inspirou. Uma. Duas vezes. Não resisti. E ele quieto, inquieto. Novamente, a mesma música no aparelho de som. A noite quente, sem lua. Eu sentada no chão. Ele, num banco, distante. – Vai, eu disse. Ele: – Acho que é o correto. E eu, que gosto das coisas corretas, não disse nada. Ele sabia que eu não diria. – Mais uma, eu pedi. E lá fomos nós. Depois, pegou o capacete. – Sabe que a gente não vai se ver tão cedo né? – eu disse ainda no chão. Ele se abaixou, me beijou. Correspondi pouco e olhei pra baixo. – Não sei não…E me olhou da porta. Me perguntou se eu o acompanharia até o portão. Fiz que não com a cabeça e ele saiu. Lembro de ainda pensar que ele podia mudar de idéia e voltar. Não ia chorar. Ouvi o barulho da moto se afastar. Aumentei um pouco o som, fechei a porta. E chorei.

E enquanto o mundo explode…

Agosto 4, 2009

angústia, ansiedade, aflição. saudade e vontade de que, ao invés de dúvidas só restassem vontades. a sensação de que a vida depende apenas de uma única frase. a barriga congela, o corpo treme e a cabeça se perde em pensamentos que tentam adivinhar o que você está sentindo…

angústia, ansiedade, aflição. e mesmo assim, só de pensar no som da voz e lembrar do sorriso doce, tudo desaba.

saudade. angústia. raiva. aflição. ansiedade. vontade. tudo isso ao mesmo tempo agora.

Cordel na veia!!

Junho 18, 2009

E sábado tem Cordel do Fogo Encantado no SESC São José dos Campos. Lóooogico que eu vou, depois de mais de um ano de abstinência de Cordel. É uma banda que eu amo de coração, mas que só consigo curtir se vê-los ao vivo com uma certa freqüência. É meio frustrante ouvir Cordel e não ver, não sentir…é foda!

Só um cadinho do que é o Cordel. O áudio não é lá essas coisas, mas dá pra ter uma idéia da energia que rola…

Pelo direito de decidir!

Junho 15, 2009

Desde os primórdios do feminismo moderno, ao início do século XX, a luta feminista defende que a maternidade não deve ser obrigação para as mulheres, muito menos o seu destino.

Ainda que compreendamos a importância da função social da reprodução da espécie humana, as mulheres não são uma função, embora possam responder por parte desta função social quando assim decidirem.

A política populacional das nações e grupos humanos que tem sido pautadas por interesses seja de aumentar ou reduzir o crescimento populacional, não podem se sobrepor ao direito de auto-determinação reprodutiva das mulheres, compreendida como parte dos direitos humanos.    

Nenhuma mulher deve ser impedida de ser mãe!

Nenhuma mulher deve ser obrigada a ser mãe!

 

(AMB – Articulação das Mulheres Brasileiras)

 

Sempre fui a favor da legalização do aborto. Sou ainda mais agora. É fácil julgar e condenar as pessoas quando não se está no lugar delas. Apenas a mulher nessa situação é capaz de decidir. Hoje, talvez não seja somente a favor da legalização do aborto, sou a favor do direito de escolha, e de que a decisão seja tomada única e exclusivamente pela mulher. Sou contra os julgamentos morais e religiosos e contra a interferência de opiniões alheias no momento dessa decisão. E como, ao contrário do que muitos pensam, essa não é a escolha “mais fácil” que a mulher tem, ela precisa de apoio. Apoio mesmo, no sentido de suporte, inclusive psicológico, das pessoas que ela ama e em quem ela confia. Isso é muito mais importante do que qualquer tipo de julgamento ou manifestação de opinião.

em cinco minutos…

Maio 14, 2009

…o mundo parou de girar.

E continua assim até agora.

E hoje…

Maio 8, 2009

…parece que estou brincando de trabalhar. E não, isso não é bom.

Maio 7, 2009

Estou cansada, esgotada, triste e precisando chorar. Horas. Até a cabeça doer. Mas agora não dá, tem cliente pra atender, decisões pra tomar, pendências pra resolver e que não podem ficar pra depois. Nessas horas, bate a vontade de mandar tudo à merda. Não consigo encontrar sentido nas coisas, tudo me parece uma porrada de bobagens sem sentido.

Merda.

Abril 6, 2009

dia de merda.

semana de merda.

idéia de merda vir morar nessa cidadezinha de merda.

e só.

a carta.

Março 27, 2009

vo-e-cy

Vô,

Domingo mudamos pra casa nova. Linda, grande, com um gramado imenso pros cachorros. Meu quarto está lindo, tenho um banheiro só pra mim. O problema são as caixas, espalhadas pela casa toda. Achar qualquer coisa é um tormento, praticamente uma caça ao tesouro…

Enfim, achamos umas caixas de fotos que eu queria há tempos. O lado bom de mudança é isso: você sempre acha coisas que está procurando há anos! Vi todas as fotos…fotos antigas, fotos mais novas e, para a minha surpresa, essa foto ai em cima. Esta, com outras duas que também separei, são as três fotos mais lindas da caixa toda. Essa pequenininha ai sou eu, lembra? Tinha acabado de completar dois anos…Quando vi a foto, não pude deixar de notar o sorriso no seu rosto, o carinho nos seus olhos, a nossa sintonia. Na mesma hora me veio à cabeça sua voz me chamando de “minha loirinha”. Da última vez que conversamos, você me chamou de minha loirinha e eu rebati, rindo, dizendo que já não era mais loira fazia tempo. Você sorriu e me disse que, pra você, eu seria sempre a sua loirinha…

Cresci vô. E nos últimos anos, não falávamos muito. Os momentos em que resolvemos falar muito acabamos brigando. Mas tenho a impressão de que não precisávamos falar. Você sabia o quanto tenho de você, o quanto somos parecidos, o quanto meus genes carregam de você. Sinto saudade. Vejo essa foto e percebo que foi um dos lindos momentos que teremos para sempre. No coração e nessa fotografia. Éramos só nós, um momento único e nosso, só nosso. Que vai ficar pra sempre no meu coração e na minha lembrança.

Hoje faz um ano. Faz um ano que você nos deixou aqui e passou a olhar por nós de um lugar melhor. Como última homenagem te deixei uma frase: “Como é grande o silêncio quando os poetas dormem”. Foi isso que ficou pra nós depois que você partiu vô. O silêncio. Do poeta que você foi pelas coisas simples que dizia, mas que continham toda a verdade das crianças e a sensibilidade dos poetas…Você foi embora, mas o nosso momento ficou. Eternizado por essa foto. 

Porque pra você, ah vô…pra você eu serei sempre a sua loirinha.

 

Te amo.